Vox Jullis: dói

"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..." Clarice Lispector

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5.30.2009

Saudade sem fim


Sempre fui do tipo forte do tipo nada me abala sou forte posso aguentar tudo só para proteger quem amo, mas até que o esperado mais inesperado porque a morte esta presente em nossas vidas mas quando ocorre é de maneira insperada, minha Dinda (minha bizavó) lá sempre forte, a cozinha era dela...rsrs
Eu nunca pensei que desmoronaria ao saber que ela se foi, que ela esta dormindo num sono repousante e presente na memoria de Jeová, foi tudo tão rápido, Junho é o mês este que será lembrado pra sempre na minha vida..a perda de alguém próximo é muito doloroso, mesmo sabendo que ela esta bem dormindo em paz.
Confesso que nunca chorei e sofri tanto por alguém, mas a data esta chegando e quase um ano já faz que isso ocorreu, mas me lembro exatamente de todas as usas características, suas superstições, o seu ouvir pouco "o que dizinha?" lembro-me de cada detalhe, de cada abraço, de cada vez que ouvi "Deus que lhe abençoe" , "desimborca essa sandália faz má"...como pode vc ter que deixar sua familia, deixar suas coisas...
Hoje cotinuo a pedir que Jeová me de forças pra aguentar, porque sofro a cada dia, sofro ao sentir sua preseça na minha memoria, sofro em pensar que perdemos alguem..deixo essa musica que tanto me lembra minha dinda e até meu vô que tão pouco vi.
Uma saudade que não terá fim neste sistema, uma saudade que levarei comigo.

A Paz

Gilberto Gil

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"

5.23.2009

Rimance


Onde é que dói na minha vida,
para que eu me sinta tão mal?
Quem foi que me deixou ferida
de ferimento mortal?

Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na mão.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar í minha canção.

Nunca existiu sonho tão puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho tão puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.

Estou caí­da num vale aberto,
Entre serras que não tem fim.
Estou caí­da num vale aberto,
nem terá notícias de mim.

Eu sinto que não tarda a morte,
e só há por mim está flor;
eu sinto que não tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solidão sem pavor.

E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo chão,
que deve ser límpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murmúrio
morrerá com o meu coração...
­­
Autor: Cecília Meireles